Boa noite!  Quarta 21/08/2019 00:51


Voto consciente e feliz

Uma eleição sozinha não define os destinos de um povo ou de uma Nação. Na democracia, a eleição é periódica, e deve ser entendida como parte do processo democrático. Existem tensão e disputa, mas isso também é natural no próprio processo democrático.

Devemos pensar nas eleições como chance de aperfeiçoamento. Pelo voto, o cidadão tem oportunidade de não renovar o mandato do eleito. Também pelo voto, o eleitor pode escolher um representante mais confiável e ligado aos reais anseios da coletividade.

Claro que não desconheço a influência do poder econômico (e outras formas de poder) sobre partidos, projetos e candidatos. Isso existe em todas as democracias e cabe à sociedade, de forma organizada, criar meios legais de reduzir ao máximo esse poder.  No Brasil, a Lei da Ficha Limpa é um exemplo bem sucedido. Não resolve tudo, mas resolve alguma coisa, e isso já é avanço.

Nesta coluna, bem como nos meios de divulgação do Sindicato, tenho pregado que as pessoas assistam ao horário eleitoral gratuito de rádio de TV, acompanhem os debates, leiam as propostas dos candidatos e também se abasteçam de dados – ou se manifestem – por meio da internet. A esta altura, sinceramente, só não está informado quem não quer.

Penso que o voto, afora ser um direito, é uma responsabilidade cívica. Afinal, por meio da escolha eu defino quem vai decidir por mim no Poder Legislativo ou quem vai governar meu Estado e meu País. Sendo assim, o voto precisa ser um ato de consciência individual e coletiva.

O Brasil é uma democracia que se consolida. Nas eleições proporcionais, as candidaturas são uma Arca de Noé – há todo tipo de bicho. Porém, para o governo do Estado e a Presidência da República, temos candidatos qualificados e aptos. Poucos países do mundo têm essa gama de candidaturas, com essa qualidade. Não temos, felizmente, nenhum tipo de extremista, como se vê em tantas eleições pelo mundo.

O escritor Nélson Rodrigues dizia que o brasileiro tem complexo de vira-latas. Ele se referia a uma parcela da população (geralmente abastada) que é sempre contra tudo e contra todos e se esbalda em falar mal do próprio País. Considero esse um desvio da nossa cultura, que precisa ser corrigido. Esse tipo de sentimento não se vê em outros países.

Domingo, eu vou votar. Vou feliz, pois houve tempo em que o povo queria votar, mas a ditadura não deixava. Não sei se conseguirei escolher os melhores. Mas me esforçarei para, quando estiver na mesa de votação, referendar minha opção por gente séria, qualificada, progressista e comprometida com os reais interesses da cidade, do Estado e do povo brasileiro.

Uma crítica - Desde jovem, sempre gostei da boca de urna, porque era ruidosa, divertida e acalorada. A lei atual impôs muitas restrições e silêncio nos locais de votação. Acho isso um retrocesso. Lamento e critico.

Há 2.500 anos, Platão já ensinava: “O castigo dos bons que não fazem política é ser governado pelos maus”.

José Pereira dos Santos
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
E-mail: pereira@metalurgico.org.br
Blog: www.pereirametalurgico.blogspot.com
Facebook: www.facebook.com/PereiraMetalurgico

Este artigo foi publicado no jornal Guarulhos Hoje, dia 1º de outubro de 2014.