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• 20/9/2017 - quarta-feira



Fotos limpas, diretas e comunicativas. Assim são as fotografias deste guarulhense, nascido na Vila Augusta em 21 de abril de 1964.

Ele é Cláudio de Oliveira Omena, que, neste mês, encerra um ciclo profissional de 26 anos como repórter-fotográfico do nosso Sindicato.

Homem calmo e profissional maduro, Cláudio conta que já foi metalúrgico, tendo trabalhado três anos no almoxarifado da Flexform (Jardim Presidente Dutra) e quatro anos como ajudante de mecânico de manutenção na antiga Borlem (Itapegica).

Praticamente todo metalúrgico da nossa base, em Guarulhos, Arujá, Santa Isabel e Mairiporã, já viu, a qualquer hora do dia ou da noite, Cláudio documentando ações sindicais, greves, reuniões e mobilizações da categoria. Poucos, no entanto, conhecem a trajetória desse profissional discreto, cujas fotos ajudaram a fixar a imagem do Sindicato na base e na sociedade, como também a revelar a dimensão pessoal, profissional e política dos metalúrgicos.

DEDICAÇÃO - Claudio Omena conta: "Mais que uma vez cheguei a dormir na porta de empresa, acompanhando atos do Sindicato, sempre em defesa dos direitos dos trabalhadores. Vi e registrei com minha câmera situações das mais variadas e algumas muito chocantes. Por exemplo: a filha dar um tapa na cara do pai, porque ele dizia não ter dinheiro pra pagar os funcionários que havia demitido. Ela disse, pra todo mundo ouvir e com sua atitude, que seu pai estava mentindo".

HISTÓRIA - Casado com Maria dos Prazeres, e pai de Emanuel (23 anos) e Sara (18), Claudio Omena tem uma história pessoal e profissional muito interessante, que o ajudou a forjar seu senso profissional e a condição de excelente fotógrafo.

Aos 18 anos participou de um grupo de break (Fantastic Foorce), que dançava na rua. Cláudio conta: "Fizemos várias apresentações em Guarulhos e em São Paulo. A dança de rua era uma realização de jovem. Eu já tinha emprego fixo e registrado, porque comecei aos 15 anos como ajudante na Cipasa (Guarulhos), empresa especializada em papel. Depois, ingressei em metalúrgicas, mas nas folgas gostava de dançar com meus amigos".

Em 1991, na gestão de Francisco Cardoso Filho (Chicão), Omena entrou no Sindicato como auxiliar de vídeo. Desde então, esteve sempre ao lado dos diretores e assessores, e principalmente, como gosta sempre de frisar, ao lado dos metalúrgicos.

"Tudo que é feito aqui é em defesa do trabalhador", testemunha. E relata: "Participei de greves, assembleias para aprovação de PLR e outros direitos a perder a conta. Mas também acompanhei e fotografei grandes eventos realizados no Brasil inteiro, como ato na Vale do Anhangabaú pelo impeachment do então presidente Collor; manifestações e passeatas em Brasília; greves históricas contra fechamento de empresas; superamos pressões patronais, mas sempre com o objetivo de fazer o melhor para o metalúrgico".

Mudança - Agora aposentado, e há 25 anos atuando também como pastor evangélico, Claudio Omena decide deixar o Sindicato e se dedicar ainda mais à sua família. Ele conta: "Estou saindo de Guarulhos pra ir morar em Camocim de São Félix, uma pequena cidade do interior de Pernambuco. Lá tenho muitos parentes, minha esposa também tem. Chegou a hora de descansar um pouco mais. Mas não posso deixar de agradecer ao Sindicato por tudo que consegui na minha vida. Não foi muito, mas o necessário pra continuar vivendo com dignidade".

Pra encerrar, o companheiro Claudio Omena deixa um recado a todos os trabalhadores: "Trabalhe o que puder hoje pra amanhã poder ser feliz".

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Assembleia de campanha salarial na Borlem em 1991. Foto: Claudio Omena