Bom dia!  Sábado 21/07/2018 10:49

Salário mínimo indecente

Em março de 2014, o Sindicato promoveu na sede debate com o Dieese, outros Sindicatos e entidades empresariais sobre o salário mínimo. O objetivo era mobilizar setores importantes da sociedade pela continuidade da política de recuperação do poder de compra do Piso nacional instituído por Getúlio Vargas em 1940.

Ao final, produzimos e divulgamos documento conjunto, em que todas as entidades defenderam a política de recuperação do mínimo e reafirmaram a importância de seu poder de compra para o comércio e toda a economia. Naquele ano, o mínimo foi reajustado acima da inflação.

Infelizmente, isso mudou. O governo Temer rebaixou o valor de R$ 965,00 para R$ 954,00, ou seja, corte de R$ 11,00. Isso pode parecer pouco, mas não é. Primeiro, porque o salário mínimo abrange mais de 40 milhões de pessoas, entre trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas. Portanto, R$ 11,00 tirados de seu valor significa menos dinheiro na economia, na compra de alimentos, de remédios etc.

O salário mínimo foi instituído por Getúlio Vargas, passando a valer a partir de 1º de maio de 1940. A ideia inicial era que fosse capaz de sustentar uma família de quatro pessoas. O Dieese, com base no custo da cesta básica em São Paulo, calcula que o valor certo seria hoje de R$ 3.899,66.

Nos governos Lula e Dilma, por pressão do sindicalismo, o salário mínimo passou a ter uma política própria de recuperação do valor. Por isso, em 13 anos, obteve ganho real de 77% acima do INPC do período. Era o começo de uma recuperação que agora é interrompida por um governo de caráter neoliberal.

Para os trabalhadores urbanos formais, ou seja, com registro em Carteira, o valor do mínimo não tem um impacto direto muito forte. Porém, ele impacta a grande massa de aposentados e quase a totalidade dos trabalhadores informais, para os quais o salário mínimo é teto, e não Piso.

Mercado - O Brasil não crescerá se não estabilizar o mercado interno. Esse mercado depende de fatores como crédito e salário. Sem poder de compra dos assalariados não haverá mercado interno consolidado. Sem mercado interno forte, nenhuma Nação para em pé. Observe que até a China mudou sua política e decidiu, em Congresso do PCC, aumentar o valor médio dos salários, a fim de que o chinês possa consumir o que os próprios trabalhadores produzem em seu país.

O núcleo central do governo Temer é formado por homens, homens brancos, homens velhos e homens aposentados, que ganham polpudas aposentadorias. Desse tipo de gente não se pode esperar medidas favoráveis à Nação. O remédio, portanto, é evitar que esse tipo de gente chegue ao poder, em qualquer esfera.

Escolher os políticos é também uma forma de definir o País que queremos e o valor médio dos salários.

José Pereira dos Santos
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
e secretário nacional de Formação Sindical da Força Sindical
E-mail: pereira@metalurgico.org.br
Facebook: www.facebook.com/PereiraMetalurgico
Blog: www.pereirametalurgico.blogspot.com.br

Este artigo foi publicado no jornal Guarulhos Hoje do dia 10 de janeiro de 2018.