Bom dia!  Segunda 20/08/2018 09:56

Barrar a reforma da Previdência

Certa vez, ainda no primeiro governo Lula, o então ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, foi na Força Sindical falar sobre Previdência Social. Destilou a velha ladainha do déficit e indicou a necessidade de medidas que afetavam trabalhadores da ativa e aposentados.

Na minha vez de falar, deixando claro que não era contra uma reforma modernizadora, perguntei: – Mas por que o governo não começa a reforma cobrando os grandes devedores da Previdência? Além de não ter gostado da pergunta, ele enrolou, enrolou, e não respondeu à questão.

Sabe-se hoje que muitos dos maiores devedores da nossa Previdência são também os grandes financiadores de campanhas eleitorais. Portanto, os governantes, assim como deputados e senadores, não querem cutucar essa onça com vara curta. Preferem a solução covarde de cortar benefícios até de viúvas e pensionistas, como propõe agora a reforma de Temer.

Essa reforma de Temer é tão ruim que uniu todo o movimento sindical contra. Já os deputados, que estão de olho no voto do eleitor, tentam empurrar a votação para 2019 – depois das eleições. Mesmo com o governo despejando bilhões de Reais, por meio de emendas e outras manobras, ainda parece longe de ter os 308 votos necessários para fazer a proposta seguir adiante.

Semana passada, as Centrais Sindicais se reuniram e decidiram, de forma unitária, marcar um dia nacional de protestos em 19 de fevereiro. A ideia é fazer atos em todo o País para marcar posição firme da classe trabalhadora contra a mais agressiva reforma neoliberal do atual governo. Nós, Metalúrgicos, apoiamos a decisão da Força e demais Centrais.

Pressão - Entre as deliberações das Centrais estão o contato com parlamentares em suas bases eleitorais e também visitas aos gabinetes dos líderes em Brasília, pra garantir o apoio dos que já se manifestaram contra a reforma, convencer outros deputados acerca do adiamento da votação e denunciar quem insistir num projeto que agride aposentados e pensionistas.

A Previdência Social não significa apenas pagamento de pensões e benefícios, inclusive para trabalhadores afastados por doença. Na verdade, a Seguridade Social obtida na Constituição-cidadã de 1988 é o maior, mais amplo e mais efetivo programa de inclusão social do nosso País. Em muitos municípios brasileiros é a maior fonte de renda local. Já a Previdência desenhada no projeto de Temer tem um inegável caráter excludente. Por isso deve ser denunciada e combatida.

José Pereira dos Santos
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
e secretário nacional de Formação Sindical da Força Sindical
E-mail: pereira@metalurgico.org.br
Facebook: www.facebook.com/PereiraMetalurgico
Blog: www.pereirametalurgico.blogspot.com.br

Este artigo foi publicado no jornal Guarulhos Hoje do dia 7 de fevereiro de 2018.