Boa tarde!  Quinta 20/09/2018 17:35
Todo apoio às lutas e demandas femininas

Não tenho nada contra distribuir flores às trabalhadoras no Dia Internacional da Mulher, 8 de março. É sempre um gesto de carinho. Mas a condição feminina, no Brasil e no mundo, requer muito mais do que a singela e romântica entrega de rosas e buquês.

A mulher é maioria no mundo. Nas últimas décadas, é o segmento social que mais avança, mais reivindica e que mais reclama igualdade de oportunidades, respeito e, principalmente, fim da violência de que são vítimas cotidianas, quase que em todo o mundo.

Recente pesquisa do Datafolha nos 130 principais municípios brasileiros mostra que 500 mulheres são agredidas por hora no País. Entre as vítimas, 4% sofreram ameaças com armas de fogo ou com facas, ou seja, 1,9 milhão de mulheres. Espancamentos e estrangulamentos vitimaram 3%, o que representa 1,4 milhão de mulheres. E, pasmem: 257 mil chegaram a ser baleadas.

Renda - A mulher também é violentada em sua renda, nas condições de saúde e na educação. Hoje, a brasileira branca recebe até 68% do que se paga ao homem. No caso da negra, ela ganha até 50% do que se paga ao homem, cuja média é de R$ 2.589,00. Em anos recentes, essas diferenças vinham caindo. Entre os 144 países, o Brasil em 2006 chegou ao 67º lugar. Hoje, está na humilhante 110ª posição.

A discriminação é geral, pois acontece nos setores público e privado, onde poucas mulheres ocupam posições de comando. Vale lembrar que, quando Michel Temer compôs seu ministério, não havia uma só mulher entre todos os ministros.

Assédio - Outro grave problema para as mulheres – inclusive meninas –, em quase todos os ambientes, é o assédio moral e o sexual. Nossas leis já avançaram bastante e alguns setores sociais também conseguiram elevar o padrão de relacionamento homem-mulher. Mas o fato concreto é que o assédio é diário e muitas vezes agressivo.

Nesta quinta, 8, se comemora o Dia Internacional da Mulher. A data faz referência à repressão e morte de trabalhadoras têxteis norte-americanas, em greve por jornada de 8 horas. O patrão simplesmente as trancou na fábrica, pôs fogo e matou todas. Porém, o reconhecimento às lutas femininas tardou a ocorrer, pois a ONU só em 1975 instituiu o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.

Uma das metas do sindicalismo é licença-maternidade de 180 dias, a fim de que a mãe amamente a criança nesse período inicial e esteja junto do filho, para os cuidados necessários. No segmento metalúrgico, já conseguimos 180 dias em dois grupos patronais – nos demais, vale a regra constitucional de 120 dias. Mas a meta é 180 para todas.

Como presidente da Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa (CSPLP), externo aqui um abraço fraterno a todas as mulheres do mundo. Na última Conferência Internacional do Trabalho da OIT, em Genebra, na Suíça (junho do ano passado), criamos a Secretaria da Mulher da CSPLP, abrindo espaço para as mulheres lutarem por seus direitos.

Reforço, aqui, o convite de que dia 17 faremos um evento especial em nosso Sindicato. Você está convidada.


José Pereira dos Santos
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
e secretário nacional de Formação Sindical da Força Sindical
E-mail: pereira@metalurgico.org.br
Facebook: www.facebook.com/PereiraMetalurgico
Blog: www.pereirametalurgico.blogspot.com.br

Este artigo foi publicado no jornal Guarulhos Hoje do dia 7 de março de 2018.