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• 8/5/2018 - terça-feira

Arrocho e depressão também afetam
mercado de trabalho em Guarulhos

Em 2013, auge do crescimento econômico, o Brasil contava 2 milhões 446 mil metalúrgicos empregados. No ano passado, esse número caiu para 1,8 milhão de trabalhadores. Ou seja, uma queda de 23,4% nos postos de trabalho do setor. “E os salários também pioraram bastante”, afirma Rodolfo Viana, economista do Dieese, que dirige a subseção em nosso Sindicato.

Em Guarulhos, a situação é parecida, mais ainda pior. Rodolfo, com base nos dados do Caged, informa que o pico do emprego foi registrado em 2010, com 58.204 vagas formais, ou seja, Carteira assinada. “De lá para cá, a situação só decaiu”, ele aponta.

O economista lembra que, em 2016, nossa base registrava 38.250 empregos formais. A queda, em relação ao pico de 2013, dá exatamente 33%, ou seja, perda de 1/3 nos postos de trabalho. O ano de 2017 deu um pequeno suspiro, com a abertura de 332 vagas. “Muito pouco, irrisório”, comenta o economista.


Rodolfo Viana, economista do Dieese, que dirige a subseção em nosso Sindicato

Salário - Outro problema apontado por Rodolfo Viana é a perda no valor dos salários. “As novas vagas sempre pagam menos, entre 75% e 80% do que a empresa pagava ao empregado dispensado”, ele observa. Rodolfo contabiliza que esse arrocho - em torno de 21/22% - joga pra baixo a massa salarial em nossa base. No auge, era de R$ 169 milhões. Hoje, está em torno de R$ 140 milhões. “O impacto negativo na economia é real”, ressalta.

PLR - A recessão, além de afetar o emprego e comprimir salários, também afeta a Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR). Rodolfo Viana sintetiza: “Com recessão e insegurança, a empresa não paga a PLR, adia o pagamento ou simplesmente rebaixa o valor, ajudando a gravar a paralisia da economia”.

Saídas - O economista da subseção do Dieese no Sindicato não vê saídas fáceis para o Brasil. O governo Temer optou pelo arrocho, até porque, critica Rodolfo Viana, também trancou os investimentos do Estado, inclusive em setores básicos como saúde e educação.

O economista também aponta o gargalo dos juros altos. “A taxa Selic de 6,5% ao ano não tem lastro na economia real. Os bancos cobram juros superiores a 340% ao ano. E as taxas - spread - são absurdamente altas”, analisa. E arremata: “Tudo isso conspira contra a recuperação da economia”.

Sindicalismo - A recessão reduz a margem de manobras do sindicalismo. Diz Rodolfo Viana: “Além da recessão, o movimento sindical tem agora de enfrentar a lei trabalhista de Temer, que desmonta a CLT e ataca violentamente direitos e conquistas da classe trabalhadora”.

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