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  • 6/2/2018 - quarta-feira

O Brasil Metalúrgico disse a que veio


João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical e membro do Diap (Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar).

Na enxurrada de notícias ruins que nos assola, a reunião ampliada do Brasil Metalúrgico realizada dia 1º de fevereiro, no Palácio do Trabalhador, foi uma exceção.

Convocada com urgência pelo presidente da CNTM, Miguel Torres, a ela compareceram dirigentes de todas as grandes entidades metalúrgicas (Centrais Sindicais, Confederações, Federações e Sindicatos) de todo o País e dirigentes representativos de outras categorias que fazem parte do complexo automotivo (químicos, plásticos, borracheiros, vidreiros e comerciários de concessionárias). Imperou a unidade de ação.

Mônica Veloso, também dirigente da CNTM, coordenou a participação, pelos modernos meios eletrônicos à disposição, de dirigentes metalúrgicos dos Estados Unidos, do Canadá e da IndustriAll (organização mundial dos industriários). A reunião foi, assim, internacional.

O assunto: a tentativa da GM de enfrentar suas crises descarregando sobre os trabalhadores os custos dela, com a flexibilização de direitos, e chantageá-los perante as autoridades públicas com a ameaça de fechamento de fábricas, exigindo subsídios e também arrochar os fornecedores, impondo-lhes condições leoninas de contratos.

Foram repassados todos os encaminhamentos recentes da empresa, desde sua estatização pelo governo dos Estados Unidos há dez anos para salvá-la, com apoio dos trabalhadores e sustentação dos contribuintes e seu descaso hoje por esta história, predominando o apetite rentista da empresa e – no caso brasileiro – sua tentativa de carona nos constrangimentos criados pela lei trabalhista celerada e pela conjuntura nacional.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, fez em inglês o trocadilho que marcou a reunião: ao invés de General Motors devíamos dizer General Monsters.

As palavras de ordem mais determinantes foram a resistência e a unidade de ação, cujos efeitos já se fizeram sentir no mesmo dia da reunião com anúncio pela empresa de seu recuo nas pretensões flexibilizantes. O alerta teve o seu papel.

A assembleia internacional dos trabalhadores metalúrgicos (e das outras categorias representadas) deu um basta nas chantagens da GM e alertou as demais montadoras e os fabricantes para que não a copiem.

Foi aprovada a preparação de um ato internacional, em data a ser definida, nas fábricas da GM, com a participação de todas as organizações metalúrgicas e a solidariedade ativa dos dirigentes de outras categorias envolvidas.

Nos corações e mentes de todos inscreveu-se o lema forte: é preciso lutar, é possível vencer.