Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
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• 25/9/2019 - quarta-feira

A criança é sagrada

Em uma passagem do seu livro de memórias, Orlando Villas Boas, que passou boa parte da vida entre indígenas primitivos, conta: “Na aldeia, a criança é sagrada. Ela vive em plena liberdade”.

O antropólogo Darcy Ribeiro, que atuou por mais de 20 anos no Alto Xingu, com tribos em estado selvagem, também trouxe lições. Nos anos 80, quando planejou os Cieps de Brizola, ele popularizou um mandamento: “Direitos iguais para todos; privilégios só para as crianças”.

A criança é indefesa. Só com o passar dos anos ela vai compreender seu meio social e o próprio ambiente familiar. Por isso, precisa ser protegida. Por quem? Por todos. Pela família, pelo Estado e pela própria sociedade. Aliás, é o que estipula nossa Constituição.

Diz o Artigo 227: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

O Brasil, historicamente, maltrata as crianças. Tivemos avanços, é verdade, mas ainda resta muito chão pra garantirmos aos pequenos brasileiros a dignidade que merecem. Ainda nos deparamos com exploração infantil no trabalho e com a mais infame de todas: a prostituição de crianças.

Digo tudo isso pra chegar ao chocante assassinato da menina Ágatha Félix, no Rio de Janeiro, atingida nas costas por bala de fuzil - tudo indica que o tiro partiu da PM, que tentava parar uma moto. A garota viajava numa Kombi, junto com a mãe.

Boa filha, boa aluna, alegre e comunicativa, Ágatha chocou a comunidade do Alemão, uma área violenta, como tantas no Rio de Janeiro. Tinha um futuro promissor. Por isso, os gritos de justiça e contra a violência, em seu enterro, fazem sentido e ecoam o sentimento de todo brasileiro que quer paz, justiça e proteção do Estado.

Ninguém está imune à violência urbana. Mas os pobres têm sido vítimas preferenciais. E, entre esses pobres, os moradores de comunidades e bairros periféricos. A violência afeta sobretudo os jovens. Porém, no Rio de Janeiro, Ágatha já é a 16ª criança atingida por bala, neste ano.

Governador - O atual governador do Rio, Wilson Witzel, foi eleito com um discurso duro contra a violência. A população entendeu que a repressão é o caminho e lhe proporcionou uma vitória espetacular. Mas ele precisa conter sua fúria. Não cabe ao governante fazer apologia de qualquer forma de violência, pois isso passa o sinal de que tudo é permitido. O Brasil precisa de paz, emprego e proteção pelo Estado. Mandar “atirar na cabecinha de bandido” ou fazer pose com arminha só piora as coisas.

José Pereira dos Santos - Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de Guarulhos e Região e secretário nacional de Formação da Força Sindical
E-mail: pereira@metalurgico.org.br
Facebook: www.facebook.com/PereiraMetalurgico
Blog: www.pereirametalurgico.blogspot.com

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