Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
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• 28/10/2025 - terça-feira

O sacrifício de Vlado não foi em vão


Sábado à noite, a Catedral da Sé, Centro de São Paulo, estava lotada em celebração à memória de Vladimir Herzog. A data, 25 de outubro, lembrava os 50 anos da morte do jornalista em decorrência de torturas sofridas do Doi-Codi, órgão repressivo da ditadura.


Jornalistas, intelectuais, estudantes, dirigentes sindicais, líderes religiosos de diferentes confissões, velhos companheiros de Vlado, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, todos ali irmanados para celebrar a memória de Vladimir Herzog, mas também para reafirmar a fé na democracia e na soberania.

Foi um ato inter-religioso marcado pela memória, por reencontros e pela emoção.  O ato deste 25 de outubro foi também um brado cívico: “Ditadura, nunca mais!”, mostrando que a sociedade brasileira está vigilante na defesa da democracia e dos direitos humanos.

História - O assassinato do jornalista da TV Cultura, em 1975, não foi um ato isolado. Nas semanas anteriores, vários jornalistas foram presos e torturados pelos órgãos de repressão, instaurando um clima de terror nas redações dos jornais, especialmente na Folha de S. Paulo e do Estadão.

Repercussão - O assassinato de Herzog teve repercussão nacional e internacional. Ele era um profissional reconhecido mundialmente, por ter trabalhado na BBC, em Londres, e atuado em grandes veículos da imprensa brasileira. Sua morte abalou os alicerces do regime ditatorial implantado no País em abril de 1964.

A família Herzog batalhou durante anos na Justiça até conseguir uma sentença condenando o Estado pela morte de Vlado. O regime montou uma farsa de que o jornalista havia se suicidado. O médico legista Harry Shibata forjou um laudo que a perícia, tempo depois, desmascarou como falso.


Livros - Há vários livros sobre Vladimir Herzog e aqueles tempos de censura, perseguições, prisões e torturas. Em janeiro de 2013, nosso Sindicato promoveu o lançamento do livro “As duas guerras de Vlado”, com a presença de seu autor, Audálio Dantas. À época das perseguições, Audálio presidia o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. E foi dali, da sede da entidade, no Centro de São Paulo, que se articulou a resistência e partiu a denúncia de que o companheiro morrera sob tortura.

Audálio - Nosso presidente, Josinaldo José de Barros (Cabeça), diz: “Não sou contemporâneo de Vladimir Herzog, mas tive a honra de conhecer Audálio Dantas, um alagoano que chegou a São Paulo como migrante, trabalhou duro, escreveu reportagens fabulosas, publicou livros, dirigiu um Sindicato combativo e se tornou um gigante na luta por democracia e justiça”.

Viva a democracia. Ditadura nunca mais!
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