Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
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• 19/2/2026 - quinta-feira

A dimensão do Carnaval


Josinaldo José de Barros (Cabeça) - Presidente

Diretoria Metalúrgicos em Ação
E-mail: josinaldo@metalurgico.org.br 
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Certa vez, o conselheiro de Segurança dos Estados Unidos, Henry Kissinger, veio ver nosso Carnaval, no Rio de Janeiro. E ficou espantado com o número de participantes, adereços, carros alegóricos e fantasias. Na sua cabeça capitalista, pensou em valores e perguntou: “Quanto ganha cada participante?”. Kissinger ficou surpreso ao saber que aquela multidão nada ganhava e que muitos compravam as fantasias e adereços. Ou seja, pagavam para desfilar.

Pois bem. O Carnaval e as festas juninas são os maiores eventos populares do Brasil. Milhões participam. Claro que ambas têm custo para os governos. Mas o retorno, em termos de emprego, produção, faturamento e mídia, é imensamente maior.

Para 2026, a Confederação Nacional do Comércio projetou R$ 14 bilhões em movimentação econômica. Quanto aos empregos, a CNC calcula que o Carnaval gera 39 mil vagas temporárias. A festa lota bares, restaurantes, transportes e a rede hoteleira por vários dias.

O Carnaval também impacta a parte fonográfica, com números estratosféricos. Este ano, a música “Jet Ski” (Pedro Sampaio, Melody e MC Meno K) atingiu as seguintes marcas na plataforma Spotify Brasil: o #1 (primeiro lugar); streams diários com picos de mais de 1,5 milhão de reproduções em 24 horas; total de streams de mais de 21 milhões neste mês; e impacto global, com a faixa entrando no top 40 do Spotify e alcançando a posição #36, com mais de 2,3 milhões de streams.

A mídia também fatura alto na época carnavalesca. A Rede Globo, por exemplo, exporta para 118 países os carnavais do Recife, São Paulo e Rio, que exibe ao vivo. Evidente que esse produto atrai patrocinadores em todos esses lugares.

Pense na música popular. Quantas canções foram inspiradas no Carnaval? De Benito de Paula (“Retalhos de Cetim”) a Paulinho da Viola (“Foi um Rio que Passou em Minha Vida”); de Chico Buarque (“Quem te viu, quem te vê”) a Zé Kéti (“Máscara Negra”), esses sambas permanecem na memória das gerações.

Foi Getúlio Vargas, por meio do Departamento de Imprensa e Propaganda, quem estimulou as escolas a adotar temas de exaltação à nossa história e cultura. Por isso, até hoje, as culturas afro-brasileiras, o candomblé, a umbanda e ritmos como o carimbó, entre outros, influenciam os enredos. Ou seja, o Carnaval é um momento de expressão da nacionalidade e de resistência frente à cultura de massas imposta pelos conglomerados multinacionais.

Neste Carnaval, a Acadêmicos de Niterói interpretou o enredo de exaltação ao presidente Lula - “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A homenagem a Lula deixou a direita irada. Sugiro, portanto, que, no ano que vem, alguma escola exalte Bolsonaro. Será que ele dá samba?

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