• 9/3/2026 - segunda-feira

Dra. Ana Paula: luta contra o feminicídio e a violência doméstica
Ex-metalúrgica e atual vice-presidente da OAB (Subseção Guarulhos), Dra. Ana Paula Menezes Faustino
será a palestrante no Encontro das Mulheres Metalúrgicas, dia 27 de março, em nossa sede.
A advogada Ana Paula Menezes Faustino nasceu em Guarulhos, há 56 anos. Foi criada para casar, ter filhos e cuidar da casa. Lembra: “Essa era a estrutura em que a gente vivia naquela época”. Ela não se conformou com os ensinamentos da mãe. Arregaçou as mangas e foi à luta. Ou melhor, “furou a bolha”.
Aos 14 anos, trabalhou na linha de produção da antiga fábrica de brinquedos Estrela. Dedicou-se aos estudos e, há 30 anos, formou-se em Direito pela Universidade Guarulhos (UNG). Hoje, a ex-metalúrgica se divide entre o trabalho em seu escritório de advocacia - é especialista em Direito Trabalhista e Previdenciário - e a atuação na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) - Subseção Guarulhos, onde é vice-presidente.
E, claro, também se casou e criou os dois filhos, Gabriely e Santiago.
No próximo dia 27, uma sexta-feira, a partir das 8 horas, Dra. Ana Paula será a palestrante do Encontro das Mulheres Metalúrgicas, em nosso Sindicato. Ela ministrará a palestra “Mulher: Entre Batalhas Invisíveis e Conquistas Reais”.
Ela explica: “A mulher tem um papel muito silencioso. Para ela, tudo é um pouquinho mais difícil. Aos poucos, vem conquistando seu espaço, numa luta silenciosa. Nós temos dores, temos medos e nos calamos em muitos momentos de nossas vidas. Por isso travamos essa batalha silenciosa e precisamos vencê-la”.
Machismo - A sociedade machista, conforme diz, muitas vezes não consegue enxergar o mérito das mulheres. Mas, dia após dia, elas vêm “furando a bolha”, como se refere à batalha silenciosa. E o que existe dentro dessa bolha?
Ela responde: “Equiparação salarial, cargos de gestão, mesas de poder, fim do feminicídio e da violência doméstica e respeito”.
Feminicídio - Os casos de feminicídio em alta no País vêm lhe tirando o sono. Ela afirma: “Meu sofrimento interno é tentar entender o que está acontecendo no País. A gente acompanhou essa mudança desde a época da pandemia da Covid-19, quando os casos de violência contra a mulher começaram a subir. E agora, do ano passado para cá, a situação eclodiu. Nunca se matou tanta mulher no Brasil”.

Principais pontos da entrevista:
LUTA - “Temos muitas mulheres com mérito, mas a sociedade, de forma geral, não consegue enxergar. A cada dia mais estamos furando a bolha. É essa batalha invisível que travamos todos os dias, em qualquer lugar”.
MULHER INVISÍVEL - “A mulher é invisível, principalmente no mercado de trabalho, porque ganha menos que os homens e ocupa menos cadeiras de comando. Isso é comprovado. Muitas vezes, na hora da contratação, somos deixadas de lado, pois dão prioridade ao homem”.
AVANÇOS - “Na luta pelos direitos da mulher tivemos avanços, mas ainda não chegamos onde queremos. A mulher quer chegar às mesas de poder, principalmente no âmbito político. Se você observar uma foto do Judiciário, por exemplo, verá que há 30 desembargadores e apenas uma mulher”.
IGUALDADE - “Nós - mulheres e homens - nunca seremos iguais. E nem queremos ser. Só queremos o nosso espaço. É necessário entender que nós merecemos e que chegou a nossa hora de sentar à mesa, de ter nossas opiniões respeitadas. Quando houver esse equilíbrio entre homem e mulher na forma de pensar e de agir, teremos um mundo melhor”.
FEMINICÍDIO - “Cheguei a pensar se o homem está tendo alguma dificuldade de ver a mulher, pela primeira vez, falando ou não aceitando determinadas coisas que, antes, ela aceitava. É muito difícil entender o que está acontecendo. Ninguém, até agora, consegue explicar. Sempre tenho esperança de que a situação melhore, mas infelizmente teremos que caminhar um pouco mais. Não temos, neste momento, um fator de estudo que explique o motivo e o que devemos fazer”.
MIMIMI - “O homem não pode interromper a fala de uma mulher. Ele precisa parar e escutar. E isso não é mimimi. Nós estamos ganhando no grito neste exato momento, senão seremos atropeladas”.

