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• 11/4/2018 - quarta-feira


Diversas formas de racismo

Vivemos uma fase de intolerância. Muitas pessoas perdem a noção do debate e se irritam quando são questionadas. As redes sociais, infelizmente, estimulam a agressividade, que só faz mal ao País.

Outro sintoma é a perda de noção de prioridade. Bandeiras legítimas, de minorias, passam a ter preferência e acabam encobrindo o principal problema nacional. Que problema é esse? É a brutal desigualdade de renda, que torna o Brasil campeão mundial na concentração e exclusão.

Portanto, acima das questões de raça, credo e opção sexual, persiste esse problema histórico. Ou seja, muito nas mãos de poucos e pouco nas mãos de muitos. O Brasil é o País de maior concentração de renda na faixa 1% mais rica da população. Essa minúscula parcela detém 27,8% das riquezas nacionais. Os 10% mais ricos concentram 55% de toda a riqueza.

Evidentemente que isso impacta a questão racial. Os negros e mestiços, em geral, estão na base da pirâmide social. Portanto, são os mais pobres, com menor nível de instrução, sem qualificação profissional, os que moram mal, os que são pessimamente atendidos pelos serviços públicos.

O que fazer pra mudar isso? O primeiro passo é garantir educação básica de qualidade a todos. Assegurar também a educação cidadã, que desenvolva a formação humanista e cívica dos brasileiros. Sem educação de qualidade e também sem uma forte consciência cívica, as pessoas mal saberão exigir seus direitos – sejam trabalhistas, sociais e políticos.

Evidente que existe o racismo. Tanto existe que a Constituição de 1988 consagra no Artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”. O inciso XLII completa: “A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão”.

O Dieese com frequência analisa o mercado de trabalho e aponta discriminação. Em 2016, um em cada cinco negros estava desempregado; enquanto não-negros eram 1,5 a cada 10 – na região metropolitana de SP. Em 2016, a taxa de desemprego entre a população negra foi de 19,4%; já a de não-negros foi de 15,2%. Essa desigualdade também se reflete nos índices salariais. Ao analisar dados de 2016, a Fundação Seade constatava: para cada R$ 1.000,00 ganhos por um trabalhador não-negro, pagava-se R$ 650,00 ao negro.

Combater o racismo é dever cívico de todos. Mas não bastam palavras. Precisamos de ações concretas e de fazer cumprir uma Constituição que nasceu das lutas do povo brasileiro.

José Pereira dos Santos - Presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
e Secretário nacional de Formação
da Força Sindical
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