Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
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• 2/10/2019 - quarta-feira

Empobrecimento

O Brasil está empobrecendo. Esse processo é grave, pois não leva apenas à perda de renda. O empobrecimento produz desagregação social, estimula a marginalidade e tem relação direta com a violência e o consumo de drogas.

Enquanto uns empobrecem, os mais ricos prosperam. Nos últimos sete anos, os mais pobres perderam 14% da renda, já os mais ricos tiveram os ganhos aumentados em 8,5%.  O homem mais rico do Brasil é o banqueiro João Paulo Lemann, que também é dono da Ambev. Sua fortuna, segundo a revista Forbes, chega a R$ 104,7 bilhões - dá quase 24 vezes o orçamento anual de Guarulhos.

A estrutura tributária também é fator de achatamento na renda. Exemplo: um executivo ganha R$ 9.998,00 ao mês e uma doméstica recebe salário mínimo, R$ 998,00. Se ambos comprarem uma cesta básica de R$ 280,00 - supondo que R$ 99,98 desse valor correspondem a impostos indiretos - 10% da renda total da trabalhadora seriam retidos em imposto sobre consumo. Já o executivo consumiria apenas 1% de seu salário. Ou seja, proporcionalmente a trabalhadora pagaria 10 vezes mais imposto que o executivo.

Há muitas formas de, gradualmente, se quebrar esse círculo de ferro. A primeira, naturalmente, é por meio do crescimento da economia. O crescimento gera emprego, produz renda e movimenta toda a cadeia econômica. Outra forma é pelo aumento real, e gradativo, do salário mínimo, que remunera 48 milhões de brasileiros, da ativa e aposentados, direta e indiretamente.

O movimento sindical bate insistentemente na tecla do desenvolvimento. Por todas as razões do mundo. Uma delas porque a recessão induz à precarização do trabalho. Tanto assim que a informalidade já atinge 40 milhões de brasileiros, segundo o IBGE. O informal ganha mais ou ganha menos? Ganha menos, e não tem a cobertura de direitos trabalhistas ou previdenciários. Ou seja, fica mais pobre e perde proteção social, o que alimenta o círculo vicioso da exclusão.

Existe uma crise mundial que gera concentração de renda, é verdade. Mas ela não explica tudo. O problema real está aqui dentro mesmo, por causa das políticas neoliberais dos governos, especialmente de Temer e Bolsonaro, que radicalizou ainda mais o neoliberalismo.

A pobreza não é um fato natural. Ela é social e politicamente construída. Portanto, seu enfrentamento se deve dar no plano político e das lutas sociais. O sindicalismo faz a sua parte, quando busca ganhos de PLR, aumento salarial, elevação dos Pisos e acordos por empresa. Também fazemos nossa parte ao pressionar o governo a mudar os rumos da política econômica. Somos uma força com base social, mas estamos com dificuldades de mobilização, porque o governo atacou nossas fontes de custeio.

Não conheço ninguém que endosse a pobreza. E sei que muitos se dispõem a combater a concentração de renda. Se não quebrarmos o ciclo da concentração, infelizmente, as coisas vão piorar, para os pobres e para todos nós. É isso que você quer?

José Pereira dos Santos - Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de Guarulhos e Região e secretário nacional de Formação da Força Sindical
E-mail: pereira@metalurgico.org.br
Facebook: www.facebook.com/PereiraMetalurgico
Blog: www.pereirametalurgico.blogspot.com

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