Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
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17/7/2020 - sexta-feira

ALVARO EGEA
Um sindicalista que precisa ser 
mais ouvido e conhecido por todos
 
Ele é de estatura baixa, fala calma, mas argumenta com precisão. Foi criado no Interior de SP, viveu na Capital e desde 1990 atua em Guarulhos, onde fundou o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário, entidade que já presidiu. Hoje, ocupa a secretaria-geral da Central dos Sindicatos Brasileiros, CSB. Atua no PDT (sigla de Getúlio, Jango, Brizola etc.) e preside a seção sindical paulista do partido.

Seu nome é Alvaro Ferreira Egea. Sua trajetória, sempre ao lado dos progressistas e trabalhadores,  bem como seu empenho constante pela unidade sindical e popular, o trazem a esta coluna, pra ser o Personagem do Mês.

VALE LER E CONHECER ESSE COMPANHEIRO


Chegada a SP - “Vim com a família pra tentar a sorte na Capital, em 1970. Fomos pra Vila Talarico, Zona Leste. Meu primeiro emprego foi balconista de padaria. Depois, fui office boy no escritório do dr. Costa Neto, que havia sido ministro da Justiça de Dutra”.

Outra cidade - “Dava tempo de sair do Centro, pegar um ônibus da CMTC e ir almoçar em casa”.

Livros - “O escritório tinha biblioteca e eu li de tudo. Assinava também a Folha de S. Paulo, que eu lia. Era o auge da ditadura,  governo do Médici. Ali no Centro havia o jornal “Portugal Democrático”, dos exilados”.

Partido - “Os portugueses eram comunistas, do PCP. Fiz amizade com eles, que me colocaram em contato com o Partido Comunista Brasileiro. Aos 19 anos entrei na Juventude Comunista, fazia jornais e atuava em atividades culturais. Depois o escritório se mudou pra Pinheiros e lá havia o Jornal do Bairro, ligado à família do hoje consagrado escritor Raduan Nassar. Passei a escrever reportagens e artigos.

União Soviética -
Havia convênio da Konsomol (juventude soviética) e todo ano o PCB mandava jovens pra estudar, durante um ano. Meu curso - economia, filosofia, política etc. - iria até agosto de 74. Estava em Moscou e, a pedido do Luiz Carlos Prestes, acabei ficando lá três anos e meio.

Sindicalismo - Na volta, em 1977, fui trabalhar em gráficas. Depois setor metalúrgico, pois o Partido havia decidido concentrar ação nas metalúrgicas. Um coletivo cuidava disso. Mas a conversa era muito despolitizada. Por isso, a gente falava mais do custo de vida, do arrocho salarial pelos decretos-leis do governo.

Atos - Apesar da repressão, conseguimos juntar sindicalistas (até tidos como pelegos) e fizemos passeata do bairro da Liberdade à Igreja da Sé. Nosso brado era: o povo tá a fim da cabeça do Delfim. Desemprego lascado, muito arrocho. A grande crise pra minha geração foi nos anos 80, governo do Figueiredo.

Metalúrgico - “Buscava sindicalizar os companheiros, chamando pra assistência, barbeiro etc. A inflação era alta e o Sindicato publicava tabela mensal de salários. Fui demitido em 1982, o  PCB estava muito dividido. Quando veio a eleição de 1982, pro Senado, o Partido indicou gente pra apoiar Almino Afonso, Severo Gomes e Hélio Navarro.

Entrei na campanha do Montoro ao governo paulista. Meu líder era o Dellelis, que havia sido dirigente metalúrgico. João Guilherme Vargas e Davizinho Capistrano ficam na articulação, montaram um comitê sindical de apoio ao Montoro. Corri o Estado pegando assinaturas de apoio.

Também acompanhava Severo e Montoro nas portas de fábrica. Montoro ganhou, mas eu não quis ir pro governo. Fui atuar no Sindicato, comandado pelo Joaquinzão. No racha, apoiei a chapa do Lúcio Bellentani, que tinha simpatia do Prestes. Perdemos e eu saí do setor.

Veio a Constituição de 1988 e os Sindicatos ganharam autonomia. Aprendi a organizar Sindicatos e vim pra Guarulhos em 1990 pra fundar o nosso e trabalhar  nas 12 cidades da base, onde era tudo inorganizado.

Desafio - A crise atual é cruel. Precisamos fazer o Sindicato entrar na empresa, dialogar com os trabalhadores.  Mas o patrão tem poder absoluto e fica difícil conversar. A gente monta listas de WhatsApp. Formamos grupos, de informes gerais. Denúncia mesmo o trabalhador só tem coragem de fazer no seu WZ particular. Categoria tem mais de 90% de mulheres.

Medo - Trabalhador está de cabeça baixa, com medo de perder o emprego e ser empurrado pra exclusão social. A empresa se aproveita e manipula, arrocha salário, impõe banco de horas, suspende contratos. Da reforma trabalhista de Temer pra cá deram poder total ao empregador.

Consciência - O trabalhador começa a perceber o tamanho da tragédia, o desmonte do Estado, fim do Ministério do Trabalho, ataque aos Sindicatos, não ter mais fiscal pra ir na fábrica ver o que está errado. Mas o medo ainda se impõe, desumaniza as pessoas. O neoliberalismo impôs um terror que desprotege e fragiliza.

Comunicação - As novas mídias deram instrumentos aos Sindicatos.  Precisamos saber usar, a partir da decisão das direções de fazer, atuar, de enfrentar. Comunicação é consequência; tem que haver a decisão de enfrentar. Temos que mostrar à base que o Sindicato está no lado dos trabalhadores.

Balanço -
O capital não venceu todas.  Temos ainda a nossa Constituição, uma parte importante da CLT, as Convenções Coletivas. O governo tentou passar, e não conseguiu, umas 20 Medidas Provisórias, todas ruins. Isso mostra que temos capacidade de resistir.

Central Sindical - A CSB tem forte conteúdo nacionalista e trabalhista - a defesa da CLT, da estrutura sindical, das conquistas de Getúlio, do Artigo 8º. da Constituição - é o nosso DNA.

Esperança - O povo pode se empoderar a partir de sua própria esperança, e superar a confusão política que é muito grande. É preciso mostrar aos trabalhadores um projeto de Nação, uma identidade, denunciar os entreguistas dentro do governo e alertar que a elite brasileira se vendeu ao entreguismo.

Empresariado -
Nosso empresariado tinha um projeto, assinava manifesto pela volta da democracia. Hoje, tem mais de dois milhões de brasileiros infectados e os grandes empresários aplaudem o governo, que nada faz pela saúde... esse empresariado acha que vai sobreviver com a venda de minérios e commodities. Mas isso não reergue um País. Precisamos de indústria nacional forte e classe trabalhadora organizada.

PERFIL -
Alvaro Ferreira Egea, brasileiro, 65 anos. Casado com Marcia, com quem tem três filhos. Formou-se advogado em 1998. Em 1999 concluiu o curso de Especialização em Direito do Trabalho pela Uninove.
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